01 BANNER OFERTAS
Baxim do Taxi

Professor Antônio José em homenagem ao senhor Francisco de Assis

Em casa, no convívio familiar, era o pai bondoso, comunicativo, mas cheio de ordens, mas de uma sensibilidade extrema.

04/03/2017 15h00Atualizado há 3 anos
Por:
Fonte: Ascom Professor

A vida na sua essência, é constituída por uma caminhada. Para uns, muito rápida. Para outros, mais elástica, mas existem aqueles que ela se torna longa. Essa longevidade é que oportuniza a definição da pessoa no mundo que a cerca tornando-se, um ser capaz de protagonizar sua própria história.

O ano de 1942 transcorria normalmente, a localidade Buriti, atual Ipiranga do Piauí, vivia o auge da produção de maniçoba. Muitas famílias prestavam serviços para os comerciantes locais. Enquanto na   Europa, a Segunda Grande Guerra destruía vida e sonhos. Mas no meio de tudo isso, na comunidade Buriti, pertencente ao município de Oeiras-PI, dava continuidade a vida, tanto que no dia 29 de outubro, nascia uma criança, que na Pia Batismal recebeu o nome de Francisco de Assis. Seus pais, Cesário Joaquim de Lima e Luiza Josefa da Conceição, sentiram felizes pela chegada do novo membro da família, perfazendo uma prole de 09 filhos.

O tempo passou, o menino Francisco de Assis, foi crescendo e com ele suas utopias. Era muito sapeca, extrovertido, corajoso, conversador, o que fazia a diferença entre os demais membros da família.

Sua juventude, foi uma comédia, ainda na adolescência aprendeu o ofício de sapateiro, quantos pés calçaram sapatos, sandálias, chinelos confeccionados por suas mãos? Tudo isso, despertou o gosto estético daquilo que produzia, bem como o carisma de comerciante. Primeiro como marreteiro, cuja atividade profissional atualmente é conhecida por comerciante   ambulante, ou mesmo camelô.

Como crediarista, teve que ultrapassar as fronteiras da localidade onde nasceu, já mais desenvolvida e também emancipada com o nome de Ipiranga do Piauí. Em março de 1963, casou-se com Maria Valma, natural da localidade Buriti Cumprido, município de Inhuma-PI.

Do enlace matrimonial com Maria Valma, nasceram: Elzenir, Antonio Neto, Elzimar, Elzilene, Francisco de Assis, Elza, João de Deus, Teresinha, Jose Antonio, Maurício, Eliene e Douglas. Uns nasceram em Ipiranga, outros em Valença-PI.

A família, crescia, a responsabilidade para manutenção também, Francisco de Assis, ganhava o mundo trabalhando para o sustento da família numerosa, enquanto Maria Valma, sua esposa, cuidava das prendas domésticas, da educação dos filhos e no veio da máquina diuturnamente desenvolvia a arte de costureira para também ajudar no sustento de casa.

Foi nessas andanças, que Francisco de Assis, escolheu Valença para fixar residência, cuja chegada ocorreu em agosto de 1982. Primeiramente, a família foi instalada no Bairro Cacimbas, na Rua Areolino de Abreu, frente à casa da Aldenora, e ao lado da casa da Bia. Pós um ano, já com uma estabilidade financeira mais definida, comprou uma casa no Bairro Lavanderia, na Rua Adeodato Veloso, onde fixou residência até o dia da sua transcendência.

Em Valença-PI, cidade escolhida por Francisco de Assis, para fixar residência, lhe deu estabilidade financeira para conduzir a família, educar os filhos e mudar de atividade profissional, comprando um fusca de cor vermelha, transformando-o em taxi, cuja atividade profissional lhe deu um novo codinome, “Baxim do taxi”, símbolo de coragem, trabalho e honestidade.

No início, adotou como “ponto de referência” para prestação de serviço como taxista, a lateral da Igreja Matriz Nossa Senhora do Ó, ao lado da Rua Epaminondas Nogueira, depois subiu para o Terminal Rodoviário, e por último frente o Hospital Regional Eustáquio Portela.

Em todos os locais, conquistou a simpatia das pessoas pela prestação de serviço e a cordialidade como tratava os clientes. Muitas vezes naquelas situações extremas, prestava serviço de forma cordial, momento em que agradecia a Deus pelas benesses recebidas.

Baxim, como era carinhosamente tratado por sua esposa Maria Valma, ou mesmo Baxim do Taxi, como era tratado pelo povo valenciano. Foi o “pequeno notável”. Sua estrutura física, não foi empecilho praticar grande prestação de serviço à comunidade. Onde ele estava não tinha tristeza.

Em casa, no convívio familiar, era o pai bondoso, comunicativo, mas cheio de ordens, mas de uma sensibilidade extrema. Gostava de música, de festas, inclusive tocava violão e sanfona. Era comum nos bailes onde chegava, tocar duas músicas. Apenas duas, mas de sua autoria. Outro dom artístico era o de criar versos de improvisos. No cotidiano, era comum saudar as pessoas com versos de improviso aludindo a situação do momento. Podemos destacar, quando da visita de Dona Maria Prestes, à Cruz dos Revoltosos, localizada nas imediações de sua residência quando de sua passagem por Valença em abril de 2014. “Baixim", fez uma saudação a Dona Maria Prestes, agradecendo sua visita ao local histórico em nossa cidade.

Nas emissoras de rádio, era comum sua participação nos programas, tanto ao vivo como por telefone. Em todos levava uma palavra amiga e cultural aos ouvintes. Porque Baxim, era símbolo de alegria.

Nos comícios políticos, era comum sua participação, conforme o segmento que estava defendendo, mas entendia também que a ideologia do partido contrário era também uma ideologia, uma vez que era amigo e gostava de respeitar todos. Como religioso, tinha suas devoções individuais e coletivas. E por ser um homem temente a Deus, respeitava as limitações dos outros bem como seus cultos religiosos, baseado em João 14:6 “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.  

Mas como ciclo da vida tem início meio e fim, com “Baxim”, não foi diferente. Ele nasceu! Ele viveu! Mas chegou um momento em que o homem matéria, apresentou sinais que precisava parar. Parar para pensar! Para cuidar da saúde! Ele seguiu todo procedimento. E de forma incansável encarou a vida. Em momento algum deixou de ser aquele homem de fé e de coragem. Mas o próprio ciclo da vida lhe dava sinais. Sendo que dia 25 de fevereiro às 7:30 da manhã, ocorreu sua transcendência, deixando a família, parentes e amigos. Mas como disse Hermann Hesse: Para cada chamado da vida, o coração deve estar pronto pra a despedida e para novo começo. Foi o homem, ficou sua História e a certeza do dever cumprido! “Que as experiências vividas e compartilhadas por ele no percurso de sua vida, sejam alavancas para alcançarmos a alegria de chegar ao destino projetado.

TEXTO: Prof. Antônio José Mambenga.

                                  Valença do Piauí, 03 de março de 2017.

Nenhumcomentário
500 caracteres restantes.
Seu nome
Cidade e estado
E-mail
Comentar
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.
Mostrar mais comentários